Livro “Uma Onça na Cidade” de Deusa d’África, é lançado em Maputo

No romance “Uma Onça na Cidade” (2023), que será apresentado amanhã, 02 de Julho, às 17h30 no Centro Cultural Português em Maputo, a escritora Deusa d’África transporta o leitor para uma tela surreal, desvendando o âmago da memória colectiva com uma combinação de ideias e imagens inquietantes.

A narrativa se desenrola como uma obra espatulada com ousadia, revelando um panorama dilacerante de desolação e violência, onde a luta pela sobrevivência em meio ao caos é retratada com fúria e realismo. O texto, um emaranhado de metáforas e simbolismos, explora as complexas relações humanas e as consequências amargas do poder desmedido da mídia, dos militares, das milícias e da justiça.

Deusa d’África ficciona o cotidiano moçambicano, criando um exercício de escrita alegórico que enuncia o pensamento de um alocutário cuja consciência imagética reside na terra. A narrativa ocorre em dois capítulos. Na primeira parte, intitulada “Pradaria”, o leitor é levado a uma reflexão sobre a sexualidade do país diante das intempéries, retratando um corpo nacional decapitado e as incertezas em sua orientação sexual. Personagens abandonados por forças humanas e sobrenaturais enfrentam um destino trágico, enquanto a imprensa desempenha um papel crucial em uma guerra silenciosa, questionando a tão proclamada paz.

No segundo capítulo, “Munguine e Matalane”, a autora aborda os desafios enfrentados pelos jovens no serviço militar obrigatório e os que decidem seguir carreira na vida militar. A narrativa explora os estereótipos impostos às mulheres militares e o sacrifício de famílias cujos membros dedicam suas vidas à defesa da pátria. O capítulo culmina com a assinatura de acordos de paz, refletindo sobre as memórias de guerra e a constante metamorfose da nação em busca de paz e liberdade.

Segundo Sílvio Ruíz Paradiso, em seu posfácio, este romance transcende os limites da realidade, onde literatura e pintura se entrelaçam, criando uma tapeçaria de desespero e esperança. As nuances políticas, a dinâmica de poder e o anseio por um futuro promissor são entrelaçados em uma prosa evocativa e poética. Cada página é uma jornada pela dualidade humana, mergulhando o leitor nas profundezas da alma, onde a busca pela paz se entrelaça com a teia da violência.

Deusa d’África, nasceu em 5 de julho de 1988 em Moçambique, é conferencista, activista cultural, curadora do Festival Internacional de Poesia e coordenadora Geral da Associação Cultural Xitende. É autora de obras como “A Voz das Minhas Entranhas” (2014), “Equidade no Reino Celestial” (2014), “Ao Encontro da Vida ou da Morte” (2014) e “Cães à Estrada e Poetas à Morgue” (2022). Em 2016, foi distinguida pelo Governo Provincial de Gaza como Personalidade do Ano e representou Moçambique no Festival Literário de Macau em 2017. Deusa d’África escreveu ainda o hino para o Festival Nacional de Jogos Escolares e Desportivos em Moçambique.

Compartilhar
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email
Print

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *